simbolo da psicologa
Fernanda Soibelman Kilinski - psicóloga


A Chegada do Bebê

A pré-história da criança se inicia através da história individual de cada um dos pais. A chegada de um filhos traz de volta as fantasias da sua própria infância e o modelo parental que tiveram. Tudo isto influencia como cada um de nós exercerá a parentalidade.

Os pais não veem o bebê, mas tem com ele uma comunicação pré-verbal que deverá influenciar no desenvolvimento da criança que vai nascer, bem como nas relações que ela estabelecerá, posteriormente, com seus pais e com outras pessoas.

A maneira como a criança é desejada é decisiva para ela. Este desejo vai lhe dar o tom, a maneira de se situar no mundo, de constituir sua relação com a família e com ela mesma.

A criança exerce uma função reparadora no psiquismo dos pais, que depositam nela expectativas de que possam realizar o que eles não puderam por algum motivo. Assim, o processo de filiação se inicia antes mesmo do nascimento do bebê, a partir da transmissão consciente e inconsciente da história dos pais, de seus conflitos inconscientes e da relação com seus próprios pais, que colorem sua própria representação sobre a parentalidade. A psicanálise divide em quatro as representações que os pais fazem do bebê:

1 - A criança fantasmática: a ideia que cada um dos pais, separadamente, tem em mente a partir da sua própria história.
2 - A criança imaginária: representação mais consciente que pertence a ambos os pais, como traços físicos imaginados, sexo, etc.
3 - A criança narcísica: como seu filho irá sucedê-lo.
4 - Criança mítica ou cultural: Grupo de representações coletivas de uma determinada sociedade em um determinado momento.

Essas representações influenciam os diferentes tipos de interação que ocorrem entre mãe e bebê.

Algumas mulheres se sentem mãe desde a concepção, outras mais tarde quando o feto começa a se movimentar, outras apenas após o nascimento.

A maioria das mulheres grávidas ficam ansiosas quanto à normalidade do bebê, seu bem-estar, a repercussão de seu estado físico e psíquico, etc. Além disto, elas enfrentam uma série de transformações físicas, pessoais e psíquicas. Às vezes são invadidas com preocupações e angústias, em outros momentos gozam de muita alegria e felicidade em sua espera. Essa ambivalência é perfeitamente normal.

O nascimento é a primeira separação de uma longa série que marcará o desenvolvimento da criança. Desde então (e, inclusive, antes), a personalidade já começa a ser construída. A partir deste momento a vida psíquica da criança vai ser marcada pela alternância entre presença e ausência da mãe, do pai e das diversas pessoas próximas. Crescer é liberar-se pouco a pouco daqueles cuidados que garantiram proteção e segurança.

No entanto, tudo é uma questão de medida: uma relação muito simbiótica com a mãe provoca uma alienação, tanto para a criança quanto para a mãe. Da mesma forma, separações muito precoces a fragilizam, provocando angústias que frequentemente se manifestam sob forma de desorganização alimentar ou somática (febres, vômitos, diarreias, etc.). Uma separação ideal pressupõe a aquisição de uma segurança interna.

Dar à luz um filho, especialmente pela primeira vez, significa também se dar à luz como adulto. Essa mudança radical e irreversível sentida pela mãe e pelo pai pode provocar angústia. Em algumas ocasiões, o pai apresenta grande fragilidade emocional, e mãe teme não estar à altura de sua nova e grande tarefa. Responsabilizar-se daquele pequeno ser tão frágil, tão dependente e incompreensível pode perturbá-la. A criança surpreende e decepciona algumas vezes. Ela não corresponde exatamente àquilo que foi imaginado. Mas passados os primeiros momentos de surpresa, geralmente as mães caem de admiração por seu bebê. Sentem-se orgulhosas por terem conseguido pôr uma criança no mundo, depois de uma espera de meses e de um esforço de várias horas. Finalmente! Lá está ela aliviada vendo seu bebê recém-nascido perfeitamente saudável!

texto baseado no livro "A Família Mosaico"

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