Consumo e Inconsciente

Tudo que consumimos é investido de carga simbólica. Dentro da sociedade que vivemos, colocamos em objetos e comportamentos representações do nosso mundo interno e, dentro do inconsciente coletivo, damos um novo sentido àquilo.

O consumo vem carregado de afeto, impondo status e hierarquia social, estabelecendo relações e construindo pontes entre as pessoas.

As marcas comerciais tem um grande papel na construção da hierarquia social, também são responsáveis por unir um certo número de pessoas em um grupo que se identifica pelo poder de consumir algo que é restrito a uma parte grande da população. Desta forma o sujeito é gratificado tanto pelo pelo prazer de consumir o que é objeto de desejo de muitos, como pela possibilidade de se sentir parte integrante de um grupo, reconhecido como tal e satisfeito nessa necessidade tão primordial. Dito de outra forma, as práticas de consumo reúnem as pessoas em grupos de acordo com gostos, estilos e poder aquisitivo, substituindo a necessidade de pertença que no passado era suprida pela comunidade e que agora, com o ritmo acelerado do dia-a-dia e as relações cada vez mais líquidas (como nos ensina Zygmunt Bauman), é atendida (parcialmente) pelos hábitos de consumo.

A forma como consumimos é ambos uma ponte e um muro entre as pessoas, conforme mudamos nosso ponto de vista. O que temos observado atualmente é que as práticas de consumo, do jeito como estão estabelecidas, não estão sendo suficientes como forma de suprir essa carência e nos unir em grupos em que nos sintamos identificados, elas têm trazido mais patologias psíquicas do que preenchido esse vazio que a vida em comunidades íntimas deixou. Por isso, o consumo vem como uma solução a curto prazo, na busca do prazer imediato, mas de pouca duração, que precisa ser repetido inúmeras vezes (inclusive de forma compulsiva por alguns indivíduos) para que nos deixe um pouco mais aliviados de nossas ansiedades e possamos seguir sendo sujeitos (des)adaptados.

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